A jornalista Adriana Araújo criticou, durante o Jornal da Band exibido na segunda-feira (10/8), a decisão da Record de produzir uma entrevista com Marco Antônio Heredia Viveros, ex-marido de Maria da Penha.
A conversa, conduzida por Roberto Cabrini para o Domingo Espetacular, provocou questionamentos da apresentadora sobre a relevância de apresentar ao público o relato do homem condenado pela tentativa de assassinato da ativista.
Durante o telejornal, Adriana afirmou que alguém que tenta tirar a vida de outra pessoa representa uma ameaça e questionou qual seria a justificativa jornalística para oferecer espaço ao ex-companheiro de Maria da Penha.
A jornalista também relembrou a violência sofrida pela ativista. Segundo Adriana, Viveros atirou contra Maria da Penha e posteriormente tentou matá-la por meio de uma descarga elétrica. Maria, que então se tornou ativista, sobreviveu aos ataques e passou por um longo processo até conseguir responsabilizar o agressor.
O caso ganhou repercussão nacional e teve papel importante na criação da Lei Maria da Penha, legislação voltada à prevenção e ao combate à violência doméstica e familiar contra mulheres. Adriana destacou ainda a trajetória da ativista e afirmou que sua atuação transformou uma experiência marcada pela violência em uma mobilização por direitos e proteção para outras mulheres.
A manifestação de Adriana ocorreu após a Justiça do Ceará determinar a prisão preventiva de Marco Antônio Heredia Viveros, atendendo a um pedido do Ministério Público do estado.
Desde 2024, Viveros estava submetido a uma medida protetiva que restringia a divulgação de informações relacionadas ao processo. A determinação judicial também impedia que o nome de Maria da Penha ou de suas filhas fosse divulgado em veículos de comunicação.
A decisão judicial teve impacto direto sobre a reportagem preparada pela Record. A emissora precisou remover da internet chamadas e trechos do conteúdo que anunciava a entrevista de Viveros.
Além da retirada do material, a Justiça estabeleceu uma multa diária de R$ 100 mil caso a emissora descumpra a ordem e volte a divulgar o conteúdo proibido.

