Os familiares de todos os israelenses que falecem em operações militares ou em ataques considerados terroristas pelo governo local recebem um suporte especial, que inclui a visita de um oficial do Exército para comunicar oficialmente o falecimento.
No entanto, desde que uma incursão do Hamas resultou em mais de 1.300 mortes no país, a demanda por esses serviços atingiu um nível nunca antes registrado.
Por isso, oficiais das Forças de Defesa de Israel, que normalmente não participam das atividades de comunicação com famílias de vítimas, foram acionados para essa dura missão.
O brasileiro Rafael* é um major do Exército e foi um dos convocados. Desde a última sexta-feira (13/10), ele tem realizado em média três visitas diárias a famílias para comunicar oficialmente a morte de um parente querido.
“Quando bato na porta dessas famílias, me sinto como um anjo da morte. Mas sei que esse trabalho é muito importante, pois dá a oportunidade da família de ter certeza sobre o que aconteceu com o seu ente querido e poder enterrá-lo,” afirmou o major.
Pela primeira vez, Rafael assume essa responsabilidade. Com uma trajetória de 14 anos no Exército de Israel, o brasileiro nascido no Rio de Janeiro dedica-se ao aconselhamento jurídico das forças armadas de Israel.
Ainda segundo o oficial ele e outros servidores do Exército receberam apenas quatro horas de treinamento para cumprir tal missão. Rafael revelou que os superiores informaram que nos primeiros dias eles teriam maior dificuldade para exercer a função, que poderiam enfrentar crises de insônia e falta de apetite.

‘É difícil dormir’, diz militar brasileiro que atua no Exército de Israel — Foto: ARQUIVO PESSOAL
Rafael afirmou que é muito difícil ter que avisar para um pai ou uma mãe que o filho morreu e que não voltará mais para casa.
Ainda de acordo com o brasileiro, muitas famílias vão demorar semanas para receberem a notícia sobre a morte de um ente querido por causa do estado dos corpos das vítimas do Hamas.

