Após quase duas semanas de internação em estado grave, Tainara Souza Santos, de 31 anos, deu sinais de recuperação ao abrir os olhos nesta sexta-feira (12). Ela segue internada no Hospital das Clínicas, na região central de São Paulo, após sofrer uma tentativa de feminicídio no final de novembro.
O caso, que provocou indignação nas redes sociais e atenção de autoridades, ocorreu na Marginal Tietê, quando a vítima foi atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro pelo ex-companheiro.
Desde o ocorrido, Tainara permanecia em coma induzido, respirando com auxílio de ventilação mecânica. A notícia de que ela recobrou a consciência foi compartilhada por uma amiga próxima, que acompanha sua recuperação.
Segundo ela, Tainara despertou de forma agitada e tentou retirar o tubo que a mantém respirando, exigindo dos profissionais de saúde medidas de contenção para evitar riscos. A previsão é de que o dispositivo seja retirado neste sábado, o que representa um novo passo em seu tratamento.
A paciente também passou recentemente por mais uma cirurgia, o que a deixou debilitada, e apresentou um quadro de infecção leve causado por uma bactéria, já tratada com antibióticos.
“A danada é tão guerreira que a enfermeira falou assim: ‘Mãe, ela é tão danada, a danadinha é bruta, viu, que ela já levantou a mão quando abriu o olho e já queria tirar o tubo. Aí a gente teve que amarrar as mãozinhas dela’”, relatou.
Ainda de acordo com a amiga, Tainara contraiu “uma pequenininha bactéria”, mas que “não é nada grave”, mas que felizmente está sendo medicada e reagindo o tratamento.
Apesar das adversidades, a equipe médica e familiares demonstram otimismo com os avanços registrados, considerando o estado delicado em que ela chegou ao hospital. Tainara teve ambas as pernas amputadas em decorrência da violência sofrida.
O acusado pelo crime, Douglas Alves da Silva, de 26 anos, foi formalmente indiciado e agora responde como réu à Justiça de São Paulo. O processo avança para a fase de instrução, quando novas evidências e testemunhos serão analisados.
A denúncia aponta que ele teria agido movido pela recusa em aceitar o fim do relacionamento, atingindo Tainara com o carro em alta velocidade e não interrompendo a marcha após o impacto.
Casos como esse reiteram a necessidade de políticas públicas eficazes para proteção de mulheres em situação de risco, além de reforçar o papel essencial da denúncia e do acolhimento das vítimas.
A trajetória de Tainara, marcada agora por um longo processo de reabilitação física e emocional, é também um retrato do desafio enfrentado por muitas mulheres brasileiras.

