A descoberta do corpo de Rafael de Castro Pereira, de 33 anos, na madrugada desta sexta-feira (20 de março de 2026), transformou um apartamento no bairro da Liberdade, em São Paulo, em uma cena de crime marcada pela brutalidade e pelo mistério.
Rafael, que era natural do Rio de Janeiro e residia na capital paulista há pouco mais de dois anos, foi encontrado por uma de suas amigas mais próximas, que possuía a chave do imóvel e decidiu averiguar o local após o rapaz parar de responder suas mensagens.
Ao entrar no apartamento, ela se deparou com o imóvel completamente revirado e um forte odor, localizando o corpo do amigo no quarto, caído ao lado da cama e oculto sob diversas peças de roupa.
A reconstrução dos passos de Rafael sugere que o perigo entrou em sua casa ainda na madrugada de quarta-feira. Após uma terça-feira comum, que incluiu um passeio pelo Parque da Aclimação e um encontro com amigos em um bar no Glicério.
Rafael retornou ao seu prédio por volta das 3h. De acordo com o depoimento da amiga, o rapaz desceu do apartamento pouco depois para o que ela acreditava ser uma transação de entorpecentes, já que ele era usuário de cocaína e maconha.
Ao subir novamente, ele estava acompanhado de um homem que ele próprio afirmou não conhecer. A amiga deixou o local às 5h, deixando Rafael a sós com o desconhecido, sem imaginar que aquele seria o último contato presencial entre eles.
A comunicação seguinte ocorreu apenas por WhatsApp, na tarde de quarta-feira, quando Rafael confirmou que o estranho ainda permanecia em sua residência. No entanto, o silêncio que se seguiu na quinta-feira acendeu o alerta entre o círculo social do jovem, que não tinha familiares por perto em São Paulo e havia sido demitido recentemente.
A falta de notícias motivou a ida da amiga ao apartamento. Os detalhes fornecidos pela perícia e pela Polícia Militar pintam o retrato de um crime violento e cruel. Rafael foi encontrado nu, de bruços, com as mãos e os pés amarrados.
O corpo apresentava sinais evidentes de espancamento e violência física severa, indicando que a morte, estimada entre a noite de quarta e a madrugada de quinta-feira, foi precedida por um confronto ou tortura.
Além do estado do corpo, a ausência de pertences específicos, como o celular da vítima e uma bicicleta avaliada em cerca de mil reais, aponta para uma possível dinâmica de latrocínio, embora outras linhas de investigação não sejam descartadas.
“O corpo estava com os pés e mãos amarrados, de bruços, sem roupas, ao lado da cama e coberto com roupas diversas. Havia sinais de violência física no corpo, aparentando ter sido espancado”, descreveram os agentes no boletim de ocorrência.
A investigação agora se debruça sobre o perfil de Rafael e seus hábitos, que incluíam o encontro frequente com desconhecidos através de aplicativos de relacionamento e o consumo de drogas.
O caso segue sob análise da Polícia Civil, que busca identificar o homem visto com a vítima e esclarecer se a motivação do crime foi patrimonial ou ligada a outras circunstâncias pessoais.

