As redes sociais, que deveriam registrar apenas momentos de lazer e celebração, acabaram se tornando o último registro de alegria de um grupo de amigos em Rifaina.
Juliana Fernanda de Oliveira Silva Ferreira, de 40 anos, compartilhou fotos e vídeos em que aparecia sorridente, aproveitando o dia ensolarado em um bar flutuante na divisa entre São Paulo e Minas Gerais.
Da mesma forma, Viviane Aredes registrou o carinho com o filho Bento, de apenas 4 anos, e a amiga Marina Matias Rodrigues, sem imaginar que aquele sábado, dia 21 de fevereiro de 2026, terminaria de forma tão devastadora.
Viviane, inclusive, completaria 36 anos neste domingo, o que torna a perda ainda mais simbólica e dolorosa para familiares e amigos que agora usam as mesmas plataformas para expressar seu luto.
O cenário de descontração mudou drasticamente por volta das 22h, quando o grupo de 15 pessoas iniciou o trajeto de volta para uma casa em um condomínio às margens do Rio Grande.
Segundo o Corpo de Bombeiros, a lancha particular colidiu violentamente contra um píer durante o deslocamento. Testemunhas e sobreviventes relataram um fator determinante para o acidente: a estrutura atingida estava completamente às escuras.
Com a força do impacto, vários ocupantes foram arremessados na água, enquanto outros acabaram ficando presos sob o casco da embarcação, que virou imediatamente após a batida.
O socorro contou com a ajuda imediata de moradores da região e do empresário Luís Ricardo Andrade, dono de outro bar flutuante próximo. Ele relatou que o grupo chegou a passar em frente ao seu estabelecimento, que já estava fechado.
De acordo com Andrade, ao ser alertado pelos passageiros, o piloto Wesley Carlos da Silva tentou realizar uma manobra de retorno, mas acabou virando em direção à Noroeste, passando muito perto da margem e atingindo o píer.
A mobilização para o resgate envolveu mergulhadores e a Guarda Civil Municipal de Rifaina, mas, infelizmente, seis mortes foram confirmadas ainda no local da tragédia. “Hoje a vista pede silêncio. Que Deus conforte as famílias”, disse o Floating Bar.
Com essa mensagem, o Único Floating Bar, onde as vítimas passaram o dia, resumiu o sentimento que tomou conta da região. Em sinal de luto oficial, tanto o Único quanto o Barcô, estabelecimento vizinho, decidiram não abrir suas portas neste domingo.
Enquanto a comunidade de Franca, onde moravam as vítimas, processa a perda irreparável, a Polícia Civil de Minas Gerais iniciou os trabalhos de investigação.
Uma equipe de perícia já esteve em Sacramento para coletar vestígios e informações que ajudarão a determinar as responsabilidades e as causas exatas dessa fatalidade náutica.

