As palavras do ministro Gilmar Mendes ganharam forte repercussão nesta semana ao criticar o voto de seu colega Luiz Fux e ao reforçar confiança de que o Congresso não aprovará uma anistia ligada à condenação de Jair Bolsonaro e aliados.
Em evento realizado em São Paulo, Mendes classificou como “cheio de incoerências” o posicionamento de Fux, que se manifestou contra a condenação do ex-presidente.
Para o decano do Supremo, não faz sentido absolver Bolsonaro e, ao mesmo tempo, manter a punição de militares e ex-ministros envolvidos no episódio.
Segundo Gilmar, o julgamento que resultou na condenação de Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado seguiu os ritos processuais e demonstrou ao mundo a firmeza das instituições brasileiras diante de ataques à democracia.
Ele destacou que, apesar das divergências normais entre ministros, a decisão mostrou consistência e serviu de resposta exemplar ao cenário de instabilidade política vivido desde o final de 2022.
O ministro também foi incisivo ao criticar a participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em atos pela anistia. Gilmar afirmou que “todos sabem que não há tirania nem ditadura no Brasil” e que a proposta de ruptura institucional foi desarticulada pelo próprio Supremo. Veja vídeo:
Para ele, manifestações que tentam relativizar a gravidade dos ataques apenas enfraquecem a confiança internacional no país. A fala do decano ocorre em meio ao avanço de propostas de anistia no Congresso, impulsionadas por parlamentares alinhados ao bolsonarismo.
Mendes demonstrou confiança de que deputados e senadores rejeitarão qualquer tentativa de apagar as condenações, lembrando que os advogados de defesa dos próprios réus admitiram a existência de uma trama golpista.
A condenação de Bolsonaro e de outros oito aliados, incluindo militares de alta patente e ex-ministros, marcou um momento inédito na história política nacional.
Mais do que uma disputa jurídica, o embate revelou as tensões entre o STF, o Executivo e setores da sociedade civil, deixando claro que os próximos meses serão decisivos para definir se o país consolidará a responsabilização dos envolvidos ou se abrirá brechas para revisões legislativas.

