O fim do julgamento pelo caso Henry Borel promete ainda novos desdobramentos. O menino morreu em 2021, vítima de agressões que foram expostas pelas investigações da Polícia Civil.
Jairo Souza, o dr. Jairinho, foi condenado a mais de 40 anos por crimes de tortura, homicídio duplamente qualificado e coação no curso do processo. Para o Tribunal do Júri, Jairinho agiu intencionalmente e recorrentemente para causar danos ao menino.
Monique Medeiros, por sua vez, foi perdoada pelo crime de homicídio. A acusação foi desqualificada e Monique acabou condenada por omissão e negligência, por não ter agido de forma contundente para defender e proteger o filho.
A decisão dividiu opiniões e gera debates. Quem reagiu de forma negativa publicamente foi o pai do menino, Leniel Borel. Em declaração pública, ele criticou o perdão concedido à Monique.
“E agora venho para vocês falar que mataram o meu filho pela terceira vez”, começou Leniel. “O Henry representa essas milhares de crianças que são vítimas todo dia e, por causa de decisões como essa, se abre precedente”, afirmou.
Leniel defendeu que o que se espera de uma mãe é proteção aos filhos, apontando que Monique falhou no básico. Ele também criticou a sustentação da juiza, que apontou misoginia na maneira como o processo de Monique foi conduzido.
Ao ler a sentença, a juíza defendeu que Monique foi julgada de forma precoce e seu processo foi marcado por violências de gênero. Embora tenha reconhecido que Monique cometeu crimes, a juíza admitiu o perdão judicial.
Ao fim do processo, a acusação já anunciou que pretende recorrer da decisão e apontou um erro de quesito na maneira como a decisão foi tomada. Segundo a defesa, a acusação contra Monique era de homicídio doloso, diferente do que os jurados avaliaram, que foi homicídio culposo.

