O caso chocante de agressão contra uma criança de 4 anos no Jardim Escola Arco Íris do Gramacho, em Duque de Caxias, veio à tona após um vídeo revelar o momento em que o diretor da instituição agride violentamente o menor. A denúncia foi registrada na 59ª DP de Duque de Caxias nesta segunda-feira.
A gravação das câmeras de segurança mostra o momento perturbador em que Ananias Nogueira, conhecido como Tio Nandi, proprietário da escola, agarra a criança com violência, suspende seu corpo e o joga contra a parede repetidas vezes, antes de arremessá-lo ao chão.
A mãe do menino, que recebeu o vídeo através de um perfil anônimo nas redes sociais, relata que sofreu uma crise de ansiedade ao presenciar as imagens de seu filho sendo agredido. “Me deu uma crise de ansiedade, eu não conseguia chorar, eu só comecei a gritar muito no trabalho porque a gente não imagina que o nosso filho vai estar no colégio e vai estar passando por isso”, desabafa.
Os sinais de violência já eram evidentes há tempos, segundo o relato materno. A criança frequentemente voltava para casa com hematomas pelo corpo, chorando e demonstrando medo de retornar à escola. Quando questionada, a instituição justificava as marcas alegando que o menino se machucava durante episódios de pirraça.
Em abril do ano anterior, a escola enviou um relatório aos pais sugerindo o afastamento da criança das atividades escolares. O documento recomendava que o aluno só retornasse quando estivesse “medicado e mais calmo”, apesar de não haver, na época, qualquer diagnóstico que justificasse tal medida.
O texto do relatório afirmava: “Em alguns momentos, sua agitação pode representar um risco para si mesmo ou para os coleguinhas. Por isso, solicitamos que o aluno frequente a escola apenas quando estiver medicado e mais calmo”. A instituição chegou a propor o trancamento da matrícula sem ônus financeiro.
Meses após o incidente, a criança recebeu diagnóstico de hiperatividade e iniciou tratamento adequado. “Foi como se eles já tivessem um pré diagnóstico do meu filho. Hoje ele faz terapia e é acompanhado por neuro”, relata a mãe.
A família decidiu procurar o Ministério Público por considerar a transferência injustificada. As imagens de segurança mostram que, no momento da agressão, o menino estava sendo acolhido por uma professora, com o rosto voltado para a parede.
Em resposta às acusações, a escola emitiu nota através de seu advogado, Ivan Perazoli, afirmando repudiar as imagens divulgadas e ressaltando seu compromisso com a segurança dos alunos. A instituição confirmou o afastamento do colaborador envolvido no incidente.
O caso está sendo investigado com apoio do Conselho Tutelar. A escola, que atua há 27 anos na região, enfatizou em seu comunicado que não tolera atos de violência e que medidas disciplinares estão sendo tomadas.
A mãe relata que era comum receber chamados da escola para buscar o filho mais cedo. “Todas as vezes que eles entravam em contato, eles sempre falavam: ‘ah, tem que vir buscar o seu filho agora, ele tá fazendo isso e aquilo!’. É uma revolta, passa mil coisas pela nossa cabeça, eu tentei manter a calma”, revela.
O Jardim Escola Arco Íris do Gramacho se define como uma instituição rígida, de ambiente familiar e religioso. Em sua nota, a escola reafirma seu compromisso com a educação e declara ser um espaço de convívio saudável e diálogo.
As autoridades prosseguem com as investigações para apurar as responsabilidades e tomar as medidas cabíveis diante da gravidade do caso, que expõe uma situação alarmante de violência contra uma criança em ambiente escolar.

