O cenário cultural brasileiro amanheceu em silêncio e luto neste sábado, 21 de março de 2026. Juca de Oliveira, um dos gigantes que moldaram a identidade do nosso teatro e da nossa teledramaturgia, faleceu aos 91 anos na madrugada de hoje.
Ele morreu no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. O ator, que celebrou seu último aniversário na última segunda-feira enquanto já estava internado, não resistiu às complicações de uma pneumonia que, somada a outros problemas, fez com que ele ficasse internado.
A história de Juca de Oliveira é a história da própria arte brasileira. Nascido em São Roque (SP) em 1935, ele quase seguiu os caminhos do Direito na USP, mas a vocação falou mais alto.
Ao trocar os códigos jurídicos pelos palcos da Escola de Arte Dramática, ele nos deu mais de seis décadas de excelência. É impossível falar de Juca sem citar o Doutor Albieri em O Clone (2001).
Com uma atuação magistral, ele humanizou o dilema ético da clonagem, transformando o cientista em um personagem que ficou gravado no imaginário popular.
Juca foi peça-chave no Teatro de Arena ao lado de nomes como Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri. Sua militância e voz ativa contra a ditadura militar o levaram ao exílio na Bolívia, mas ele retornou para continuar sendo um pilar da nossa cultura.
Transitou com facilidade entre o vilão e o herói, o drama profundo e a comédia, acumulando mais de 30 novelas, 60 peças de teatro e dez filmes.”A perda é tão grande que daí ele parte para a construção de um igual para substituir.”, disse Juca de Oliveira.
O velório de Juca de Oliveira será realizado ainda hoje, das 15h às 21h, no Funeral Home, no bairro da Bela Vista, em São Paulo. A cerimônia será restrita a amigos próximos e familiares, respeitando a privacidade solicitada pela família neste momento de dor.
Juca partiu como viveu: com dignidade e cercado pelo respeito de uma nação que aprendeu a amar o teatro também através de seus olhos e sua voz marcante. Ele deixa um vazio na cena artística.

