As grandes manifestações no Irã têm ganhado proporções alarmantes, transformando as ruas do país em símbolos de resistência e dor. O aumento da repressão governamental elevou o número de vítimas e reacendeu a atenção internacional sobre a crise política que domina o regime dos aiatolás.
Em meio a esse cenário de tensão, um vídeo divulgado neste domingo, dia 11 de janeiro mostrou uma cena impressionante: dezenas de corpos enfileirados em frente a um necrotério em Teerã, a capital iraniana.
As imagens foram registradas pela agência alemã Deutsche Welle e verificadas por grupos de direitos humanos que monitoram os protestos. Segundo a Human Rights Activists News Agency (HRANA), organização opositora sediada nos Estados Unidos, os mortos incluem centenas de manifestantes e dezenas de membros das forças de segurança.
O número total de vítimas, entretanto, pode ser ainda maior, já que o governo iraniano não tem divulgado dados oficiais sobre as ações de repressão. De acordo com o chefe da polícia nacional, Ahmad-Reza Radan, as forças de segurança “aumentaram o nível de confronto contra os manifestantes”, o que indica um endurecimento da resposta estatal.
https://www.instagram.com/reel/DTa4C45ERyN
O governo, por sua vez, culpa EUA e Israel por supostamente estimularem as manifestações e acusa “mercenários estrangeiros” de estarem infiltrados nos protestos. As manifestações começaram após denúncias de corrupção e violações de direitos civis, mas ganharam força com o crescente descontentamento da população em relação ao regime do líder supremo Ali Khamenei.
A repressão já levou à prisão de mais de 10 mil pessoas e a cortes no acesso à internet, o que dificulta a comunicação interna e a divulgação de informações para o exterior.
Enquanto o governo tenta conter os protestos, o mundo assiste com preocupação ao colapso social que se desenha no Irã, um país onde o clamor dos manifestantes se mistura à dor das perdas humanas.

