Em inquérito que investiga a morte da PM Gisele Alves, colegas de trabalho da soldado relataram recorrentes desabafos. Segundo testemunhas, Gisele falou algumas vezes sobre o medo de ser morta.
Gisele, segundo testemunhas, tinha medo do marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, 53. Em um desabafo, a PM chegou a afirmar que a relação se encaminhava para um cenário onde ou ela seria morta, ou teria que mata-lo para se defender.
“Ela relatou que o dia que acontecesse alguma coisa [agressão] ele a mataria e ela iria para o tudo ou nada”, relatou uma das testemunhas. Outra contou que Gisele uma vez perguntou se ela, a testemunha, acreditava que Rosa Neto teria coragem de mata-la.
As colegas de trabalho também contaram aos investigadores que Gisele chegou a ser agredida dentro do quartel onde trabalhava, local onde Rosa Neto também trabalhava. A agressão teria acontecido no corredor de acesso a armas, e teria sido filmada por uma câmera. Na ocasião, Gisele teria sido sufocada.
Outras testemunhas ouvidas pelos investigadores descreveram Rosa Neto como “manipulador” e “obsessivo” em relação a esposa. Mais de uma pessoa relatou à polícia mudanças de comportamento em Gisele quando Rosa Neto estava perto. A PM, inclusive, evitava chamar a atenção perto do marido para evitar discussões.
Reforçando os depoimentos, a mãe de Gisele relatou à polícia que o relacionamento dos dois era conturbado e que acabaria em “tragédia”. Segundo a mãe de Gisele, a PM começou a sofrer violência doméstica e se queixar do parceiro depois de um mês de namoro.
Rosa Neto foi preso preventivamente e indiciado por crime de feminicídio, além de fraude processual. A polícia acredita que ele matou a esposa e depois tentou forjar uma cena de suicídio.

