O flagrante que rapidamente tomou conta das redes sociais e ganhou espaço nos principais veículos de comunicação do país continua gerando desdobramentos. O caso, que despertou debates sobre privacidade, exposição na internet e liberdade de imprensa, voltou ao centro das atenções após uma nova movimentação na Justiça.
Agora, a discussão deixa o campo da repercussão pública para ser analisada pelos tribunais. O padre Luciano Braga Simplício ingressou com uma ação judicial contra emissoras de televisão, portais de notícias e plataformas digitais, pedindo uma indenização de R$ 759 mil por danos morais.
Segundo o religioso, a ampla divulgação das imagens envolvendo sua vida pessoal ultrapassou os limites do direito à informação e causou prejuízos à sua imagem e à sua atuação religiosa. Na ação, o padre afirma que o conteúdo foi registrado após uma invasão da casa paroquial localizada em Nova Maringá, sem sua autorização.
Entre os alvos do processo estão Globo, SBT, Record, Editora Abril, Editora O Dia, os portais Metrópoles e Terra, além das plataformas Facebook, Instagram, X, TikTok e Google. Também foram incluídas pessoas apontadas como responsáveis pela gravação e pela primeira divulgação das imagens que deram origem ao caso.
De acordo com a defesa, as imagens passaram a circular rapidamente na internet e chegaram a repercutir fora do Brasil, ampliando os impactos sobre sua vida pessoal e profissional. Após a divulgação, ele acabou sendo afastado das funções que exercia na Diocese de Diamantino.
Além da indenização, o religioso solicita que as publicações sejam removidas, que novas divulgações sejam impedidas e que as plataformas forneçam informações sobre usuários responsáveis por postagens consideradas ofensivas. O processo, protocolado em outubro de 2025, tramita sob segredo de justiça na 2ª Vara de São José do Rio Claro.
A disputa também chegou ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso depois que a Justiça de primeira instância determinou a retirada de reportagens relacionadas ao episódio. A Globo recorreu da decisão, argumentando que apenas exerceu o direito constitucional de informar sobre um fato de interesse público, sem adotar abordagem sensacionalista.
Tanto a emissora quanto o padre apresentaram recursos, e o julgamento definitivo do caso está previsto para ocorrer em sessão virtual entre os dias 14 e 16 de julho, quando o Tribunal deverá decidir os próximos passos dessa disputa judicial.

