Em Roraíma, a Justiça reconheceu a denúncia de uma adolescente de 17 anos, que fez graves acusações contra a mãe. A mulher, de 46 anos, foi condenada por agressões e ameaças contra a própria filha.
A polícia tomou conhecimento do caso em março do último ano, depois que a jovem revelou as agressões que sofria. Segundo a denúncia, a mãe era frequentemente ofensiva e fazia ataques racistas e transfóbicos contra a própria filha.
O delegado Matheus Rezende, a frente do caso, deu detalhes sobre as investigações. Em depoimento, a adolescente relatou que era ofendida com frequência, com ataques que feriam sua identidade racial, além de atacarem também sua identidade de gênero, “como ‘viado’, ‘preto’ e ‘você nunca vai ser mulher’”, conforme revelou o delegado.
“A própria acusada confirmou, na delegacia, que proferiu os xingamentos, alegando que agia como forma de ‘proteção’ e que buscava ‘despertar a filha para a vida real’”, contou o delegado.
O inquérito ainda revelou que, além das graves ofensas, a adolescente também era submetida a agressões físicas e ameaças graves, o que configurou um cenário de violência doméstica contínua.
A adolescente nasceu com órgãos masculinos e foi criada como um menino até começar a se expressar e reivindicar a identidade feminina, algo que a mãe não aceitou e usou de violência para coibir.
O caso chama a atenção porque resultou, em dezembro do ano passado, em uma condenação contra a mãe da jovem. Mesmo com a relação familiar, a mulher foi condenada por crimes de racismo, transfobia e homofobia, além de lesão corporal e ameaça no contexto de violência doméstica.
Segundo as informações, a mulher foi condenada a 5 anos de prisão pelos crimes. A identidade de nenhuma das envolvidas foi divulgada, a fim de preservar a privacidade da vítima.

