O número de feminicídios no Brasil continua alarmante e revela uma realidade que insiste em desafiar políticas públicas e mecanismos de proteção. Mesmo com medidas judiciais e ferramentas de segurança disponíveis, muitas mulheres ainda vivem sob constante ameaça, enfrentando riscos que, em alguns casos, evoluem de forma rápida e imprevisível.
Foi nesse cenário que um caso ocorrido em Sorocaba chamou atenção. Maria Eugênia de França Chagas, de 51 anos, perdeu a vida após ser atacada pelo ex-companheiro na noite de segunda, dia 30 de março.
O detalhe que mais impacta é que a vítima chegou a acionar o chamado “botão do pânico”, recurso do programa de proteção municipal voltado a mulheres com medida judicial. De acordo com a Guarda Civil Municipal de Sorocaba, o pedido de socorro foi registrado às 22h05.
Apenas sete minutos depois, uma viatura já estava no local indicado. No entanto, ao chegarem à residência, os agentes encontraram Maria Eugênia caída na calçada, com diversos ferimentos provocados por arma branca.
A filha da vítima presenciou o ocorrido e relatou que o agressor fugiu logo após o ataque, utilizando uma motocicleta. Equipes de resgate foram acionadas, mas, infelizmente, a vítima não resistiu. O principal suspeito é o ex-companheiro, que, segundo informações, não aceitava o fim do relacionamento e segue foragido.
Maria Eugênia estava sob monitoramento do programa “Protege Mulher” desde meados de março. Essa foi a primeira vez que utilizou o aplicativo de emergência, ferramenta que envia a localização em tempo real para as autoridades, permitindo uma resposta rápida.
Apesar da agilidade no atendimento, o desfecho do caso levanta questionamentos sobre a efetividade das medidas diante de situações tão delicadas. O caso foi registrado como feminicídio na Delegacia de Defesa da Mulher, reforçando uma estatística preocupante no país.
Além disso, evidencia a necessidade de aprimorar não apenas os mecanismos de resposta, mas também estratégias de prevenção e acompanhamento contínuo.

