A megaoperação realizada no Rio de Janeiro no fim de outubro ainda ecoa no país pelo impacto e pelos números impressionantes. A ação, que terminou com mais de 120 mortos, entrou para o centro do debate público e jurídico, levantando questionamentos sobre métodos, fiscalização e transparência.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o Governo do Estado do Rio de Janeiro tem prazo de 15 dias para encaminhar todas as imagens captadas durante a megaoperação à Diretoria-Geral da Polícia Federal.
O material deverá passar por perícia técnica, com transcrição detalhada e elaboração de laudos que, posteriormente, serão enviados ao Supremo para análise. Moraes é o atual relator do processo e destacou a necessidade de acesso integral às imagens para garantir uma avaliação adequada da atuação das forças de segurança.
Além da cobrança ao governo estadual, o ministro também solicitou esclarecimentos a outros órgãos. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deverá informar em que estágio se encontra a análise do Plano Estratégico de Reocupação Territorial, apresentado pelo próprio governo fluminense no fim de 2025.
Outro ponto sensível envolve o Ministério Público do Rio de Janeiro. O órgão foi intimado a explicar como participou das diferentes etapas da operação, especialmente no controle externo da atividade policial.
Moraes quer entender por que essa função ficou a cargo do Gaeco, e não do grupo especializado criado justamente para acompanhar decisões relacionadas à segurança pública. A importância das imagens ficou evidente após a revelação de irregularidades cometidas por agentes durante a ação.
Seis policiais acabaram presos depois que câmeras corporais flagraram crimes, como furtos dentro de residências. Apesar disso, apenas cerca de 23% do efetivo mobilizado utilizava esse tipo de equipamento, o que reforça a discussão sobre fiscalização.
A chamada Operação Contenção mobilizou aproximadamente 2,5 mil agentes, cumpriu centenas de mandados e resultou em grandes apreensões de armas. Ao mesmo tempo, provocou impactos profundos na rotina da cidade, com bloqueios, suspensão de transportes e clima de tensão.

