Durante dois anos, a médica Roberta Saretta esteve ao lado de Preta Gil em sua luta contra o câncer, acompanhando cada etapa do tratamento e oferecendo apoio constante.
Integrante da equipe do cardiologista Roberto Kalil, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, ela também presenciou os momentos finais da artista, que ocorreram enquanto ainda estava nos Estados Unidos.
Segundo a médica, o maior desejo de Preta era retornar ao Brasil para estar próxima da família e dos amigos. No dia em que tentaria fazer a viagem, a equipe médica avaliou que ela estava clinicamente estável, com sinais vitais dentro dos parâmetros normais, incluindo pressão arterial e eletrocardiograma.
Com essa condição, foi autorizada a seguir até o aeroporto para embarcar em um voo de retorno. O deslocamento até o avião levou cerca de uma hora e vinte minutos, tempo no qual Roberta manteve contato constante com a paciente, incentivando-a a resistir.
Preta se manteve desperta durante todo o percurso, reforçando a esperança de conseguir chegar a casa. Contudo, ao chegar ao aeroporto, começou a passar mal e apresentou sintomas de exaustão. Mesmo diante do apoio da equipe, ela afirmou que não teria condições de enfrentar a viagem.
Diante da situação, a médica pediu para que a ambulância se dirigisse imediatamente ao hospital mais próximo. O trajeto foi rápido, durando aproximadamente oito minutos, e ao chegar ao local, a equipe iniciou procedimentos de emergência na tentativa de estabilizá-la.
“Estamos quase lá”, eu falei. “Preta, você dá conta de viajar? Segura mais um pouco?”. E ouvi a resposta: “Não dou conta”, teria dito Preta Gil, estas seriam suas últimas palavras, após travar uma grande luta por sua vida, com muita dignidade e amor.
Apesar dos esforços médicos, poucos minutos depois foi confirmada sua morte. O episódio marcou profundamente os profissionais envolvidos, especialmente pela força de vontade que a cantora demonstrou até os instantes finais.
Sua trajetória de resistência e o desejo de permanecer próxima de suas raízes reforçam a importância dos laços afetivos como parte do cuidado integral ao paciente, algo que vai além do tratamento clínico e envolve a preservação da dignidade e do bem-estar até o último momento.

