A música brasileira perdeu um de seus nomes mais singulares neste domingo, com a morte de Hermeto Pascoal aos 89 anos. Sua partida vai deixar saudade e música brasileira entrestecida.
Reconhecido internacionalmente por sua genialidade e por romper fronteiras sonoras, o músico alagoano encerrou uma trajetória marcada pela criatividade e pela reinvenção constante.
A notícia de seu falecimento foi confirmada por familiares por meio das redes sociais, informando que ele estava internado no hospital Samaritano, no Rio de Janeiro. Embora a causa da morte não tenha sido divulgada, o comunicado destacou que Hermeto partiu cercado por familiares e músicos próximos.
Conhecido por denominar sua arte como “música universal”, Hermeto começou a tocar profissionalmente aos 14 anos e ao longo das décadas explorou gêneros diversos como jazz, forró, samba e frevo.
Sua capacidade de improvisar e criar sons a partir de objetos do cotidiano o tornou uma figura única no cenário musical. Essa inventividade o levou a receber reconhecimento de artistas renomados, como Elis Regina e Miles Davis, além de acumular prêmios ao longo da carreira.
Em 2024, ele lançou o álbum “Pra Você, Ilza”, em homenagem à sua esposa falecida, trabalho que lhe rendeu o Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Jazz Latino/Jazz.
No mesmo período, foi publicada sua primeira biografia autorizada, “Quebra Tudo — A Arte Livre de Hermeto Pascoal”, escrita por Vitor Nuzzi, que retrata sua trajetória de vida e musical com profundidade.
Mesmo com idade avançada, Hermeto seguia ativo. Uma das últimas apresentações marcantes desta lenda da música ocorreu no festival The Town, em São Paulo, em 2023.
Sob forte chuva, o músico emocionou o público ao conduzir sua banda com instrumentos tradicionais e outros nada convencionais, como uma chaleira e uma galinha de borracha, reafirmando seu talento para extrair sons surpreendentes do mundo ao redor.
A despedida de Hermeto Pascoal marca o fim de uma era para a música brasileira, mas seu legado permanece vivo. Sua obra inspira músicos a enxergar a arte com liberdade e ousadia, ensinando que a criatividade pode nascer nos lugares mais inesperados e que a música, como a natureza, não precisa seguir fórmulas — apenas fluir.

