Do Rio de Janeiro à Arábia Saudita, dois jovens cariocas estão provando que talento e dedicação podem ultrapassar qualquer fronteira. Renan Farias, de 22 anos, e Maria Luísa dos Santos, de 20, estão vivendo de perto a experiência da Esports World Cup (EWC), a principal competição global de esportes eletrônicos.
Ambos participam do projeto DiversiGames, voltado à formação de jovens da periferia nas áreas de tecnologia e games. Com polos em Benfica e Niterói (RJ), o programa oferece aulas gratuitas de desenvolvimento de jogos, eSports, inglês e reforço escolar. O objetivo é abrir portas para um mercado antes inacessível a muitos desses jovens.
Renan deu seus primeiros passos no universo gamer com uma desculpa curiosa: se matriculou em um curso gratuito com a justificativa de que aprenderia Word e Excel. “Na verdade, estava aprendendo a jogar”, brinca.
Ele começou a competir e, após dois anos, migrou para a produção de conteúdo. Esse novo caminho o levou até a FURIA, uma das maiores organizações de eSports do mundo, que o convidou para cobrir o torneio internacional na Arábia Saudita.
Além dos desafios sociais, Renan também enfrentou obstáculos físicos. Ele tem atrofia muscular no joelho esquerdo e baixa estatura, o que ampliou as barreiras em sua trajetória.
“É difícil entrar nesse mercado quando você vem da favela e ainda tem uma deficiência. A gente enfrenta o preconceito, o capacitismo. Pensei em desistir várias vezes, mas segui em frente. Hoje quero ser inspiração para outras pessoas como eu”, compartilha.
A história de Maria Luísa também começou com a paixão pelos games. Ela se destacou jogando Skater XL, tornou-se atleta da modalidade e passou a atuar como professora e criadora de conteúdo.
Sua ida à EWC aconteceu após ser selecionada em uma seletiva para superfãs da FURIA, graças ao seu engajamento nas redes e atuação como influencer de games.
“Além dos games possibilitarem essas viagens que eu já fiz, em 2023 fui pra Alemanha, em 2024 pra Itália competir, eles também me deram uma nova perspectiva de futuro” disse Maria Luisa.
Atualmente, os dois fazem parte do quadro do DiversiGames, que atende 200 alunos de forma fixa, além de promover oficinas em escolas públicas e organizações sociais. A formação no projeto dura 10 meses, com acesso garantido por meio de uma entrevista social.
“Mesmo quem não segue carreira nos games aproveita o aprendizado, ganha repertório, aprende outro idioma e tem acesso a um universo que antes parecia distante” destaca Mariana Uchoa, cofundadora do projeto.
A presença de Renan e Maria Luísa na Esports World Cup não representa apenas conquistas pessoais. Ela simboliza o impacto de iniciativas que ampliam o acesso e abrem caminhos onde antes só existiam barreiras.

