O discurso político dentro da igreja, especialmente quando parte de um líder religioso, costuma ter grande repercussão social. Isso acontece porque o altar é visto por muitos fiéis como um espaço de unidade, acolhimento e espiritualidade, não de disputas ideológicas.
Foi exatamente esse efeito que se seguiu a uma missa celebrada no último domingo, dia 8 de fevereiro, na Capela Santa Efigênia, em Córrego Novo e Pingo D’Água, em Minas Gerais.
Durante a celebração, o padre Flávio Ferreira Alves afirmou que fiéis que apoiam o deputado federal Nikolas Ferreira não deveriam receber a eucaristia, chegando a pedir que essas pessoas se retirassem da igreja.
A declaração foi gravada por duas mulheres presentes e os vídeos circularam rapidamente na internet, provocando uma enxurrada de críticas. Nas imagens, o sacerdote associa o apoio ao parlamentar a posições que, segundo ele, seriam contrárias aos mais pobres.
Ao afirmar que esses fiéis “não mereceriam” comungar, o padre acabou despertando indignação entre católicos e levantou questionamentos sobre os limites da atuação política de líderes religiosos durante a missa.
A resposta de Nikolas Ferreira veio pouco depois. Em vídeo publicado nas redes sociais, o deputado classificou o episódio como um dos mais estranhos que já presenciou e criticou duramente a atitude do padre. Para ele, condicionar o acesso à eucaristia ao apoio político representa uma inversão grave do sentido do sacramento.
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O parlamentar também negou que seu voto contrário a um projeto sobre subsídio do gás de cozinha tivesse relação com falta de sensibilidade social, afirmando que se tratava de discordância quanto ao modelo adotado pelo governo.
Nikolas ainda comparou a postura do sacerdote com o silêncio, segundo ele, em relação a outros temas relevantes, e afirmou enxergar o episódio como parte de um conflito espiritual mais amplo, linguagem que mobilizou seus apoiadores.
A Diocese informou que o padre reconheceu o erro, atribuiu a fala a um momento de forte emoção, pediu perdão à comunidade e garantiu que medidas serão tomadas para evitar novos episódios de divisão no altar.

