O transporte interestadual de trabalhadores rurais, especialmente em períodos de colheita, movimenta milhares de pessoas pelo país todos os anos. Em viagens que podem ultrapassar três mil quilômetros, a segurança dos veículos e a regularidade das empresas tornam-se fatores decisivos para evitar ocorrências graves.
Quando falhas estruturais e ausência de autorização se somam, o impacto pode atingir dezenas de famílias ao mesmo tempo. O motorista do ônibus que tombou na Rodovia Transbrasiliana (BR-153), entre Ocauçu e Marília, foi preso em flagrante e deverá responder por homicídio e lesão corporal na direção de veículo automotor.
Ele também ficou ferido e permanece internado sob escolta no Hospital das Clínicas, devendo passar por audiência de custódia após receber alta. O acidente deixou seis mortos e 45 pessoas feridas.
As investigações, conduzidas pela delegada Renata Ayumi, apontam que o condutor teria assumido o risco ao seguir viagem mesmo após a retirada de um dos pneus de um dos eixos do ônibus, que já havia apresentado problema antes da entrada no estado de São Paulo.
Cada eixo possui dois pneus, e a ausência de um deles pode comprometer a estabilidade do veículo. Além disso, foram constatadas outras irregularidades, como pneus desgastados e farol inoperante.
Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o coletivo também não possuía autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres para realizar fretamento fora do Maranhão, caracterizando viagem irregular.
A empresa responsável será investigada e poderá ser responsabilizada. Os passageiros haviam saído do Maranhão com destino a Santa Catarina para atuar na colheita de maçãs. Entre as vítimas estão:
- Edilson Da Silva Lima, 42 anos;
- Robson Rodrigues Alexandrino, 25 anos;
- Gonçalo Lisboa Dos Santos, 33 anos;
- Antônio Da Silva Nascimento, 47 anos;
- José Milton Ribeiro Reis, 49 anos;
- Raimundo Nonato Sousa da Silva, 41 anos.
O atendimento aos feridos mobilizou equipes do Samu, Corpo de Bombeiros, policiais e a concessionária da rodovia. O Hemocentro de Marília registrou aumento nas doações de sangue, enquanto a prefeitura ofereceu apoio aos sobreviventes.
O caso reforça a necessidade de fiscalização rigorosa, manutenção adequada dos veículos e cumprimento das normas de transporte, especialmente em viagens longas que envolvem trabalhadores em busca de sustento.

