Peregrinações a pé carregam simbolismo de fé e devoção, mas também envolvem riscos significativos. A longa jornada por rodovias, muitas vezes sem infraestrutura adequada para pedestres, coloca os fiéis em contato direto com perigos do trânsito.
Foi nesse cenário que José Lucas Amaral Silva, de 26 anos, teve sua vida interrompida durante uma caminhada religiosa em Minas Gerais. Natural de São Gonçalo do Pará, José Lucas participava pela primeira vez de uma peregrinação a pé rumo a Leandro Ferreira, onde está sepultado padre Libério, figura de forte devoção no Centro-Oeste mineiro.
Ele caminhava acompanhado de familiares e amigos pela BR-262, em Nova Serrana, quando foi atropelado por uma motocicleta enquanto seguia pelo acostamento. Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o motociclista, de 27 anos, não possuía habilitação.
Durante a abordagem, foram encontradas cinco unidades de cocaína e quatro porções de crack em sua posse. Ele também ficou gravemente ferido e permanece internado no mesmo hospital para onde José Lucas chegou a ser levado.
A caminhada tinha como objetivo pagar promessas e renovar a fé. O tio da vítima, Ricardo Rodrigues, contou que, desde 2017, o grupo costumava fazer a romaria a cavalo. Este ano, decidiram realizar a primeira experiência a pé, que acabou marcada pelo acidente.
Antes de iniciarem a jornada, os romeiros chegaram a publicar uma foto nas redes sociais com a legenda “caminhada da fé”, sem imaginar o que ocorreria no trajeto. Descrito pela família como um jovem generoso e sempre disposto a ajudar, José Lucas deixou uma marca de dedicação e solidariedade entre os que o conheciam.
Seu tio emocionado afirmou: “Ele era muito intenso, ajudava todo mundo. Talvez por isso o tempo dele tenha sido mais curto, porque cumpriu sua missão ajudando muita gente”.
O caso, agora investigado pela Polícia Civil, reforça a necessidade de atenção redobrada em romarias a pé e a importância de medidas de segurança que possam proteger fiéis durante suas jornadas espirituais.

