Poucos riscos são tão silenciosos e perigosos quanto a intoxicação por metanol, uma substância altamente tóxica que, quando ingerida, pode causar danos irreversíveis ao organismo. Mesmo pequenas quantidades são suficientes para provocar falência de órgãos, cegueira e até morte.
O perigo cresce quando o metanol é misturado ilegalmente em bebidas alcoólicas, um crime que tem se espalhado por várias regiões do país e já fez novas vítimas em São Paulo. Em São Bernardo do Campo, na região metropolitana da capital, Bruna Araújo de Souza, de 30 anos, morreu após consumir uma bebida adulterada.

A jovem estava internada desde o fim de setembro em um hospital municipal, e exames confirmaram a presença de metanol no organismo. O caso é o primeiro óbito confirmado pela substância na cidade, mas não o único sob suspeita.

Segundo a Vigilância Epidemiológica local, há pelo menos 78 notificações de possíveis contaminações, sendo seis mortes já registradas. De acordo com a Secretaria de Saúde do município, Bruna teve o quadro clínico agravado e evoluiu para morte encefálica após dias de tratamento intensivo.
Médicos e familiares acompanharam de perto o processo, e a equipe adotou protocolos de cuidados paliativos antes de confirmar o óbito. A prefeitura lamentou o ocorrido e reforçou que a paciente recebeu toda a assistência necessária durante a internação.
As autoridades agora investigam os locais de onde partiram as bebidas adulteradas. Quatro estabelecimentos já foram interditados e lotes de produtos apreendidos para análise. A Polícia Civil conduz a investigação criminal para rastrear os responsáveis pela fabricação e distribuição das bebidas.
O Ministério da Saúde também emitiu alerta nacional: o Brasil já contabiliza 17 casos confirmados de intoxicação por metanol e mais de 200 em investigação, sendo a maioria no estado de São Paulo.
O caso de Bruna expõe um perigo que pode estar mais próximo do que se imagina — e reforça a importância de consumir bebidas apenas de fontes confiáveis. Um simples gole pode esconder um risco letal.

