A despedida da médica Angelita Habr Gama provocou forte emoção entre familiares, colegas de profissão, pacientes e amigos que acompanharam sua brilhante trajetória na medicina. Considerada uma referência nacional e internacional na área da coloproctologia, a professora deixou uma marca profunda pela carreira extraordinária.
Angelita morreu aos 93 anos, na noite de sábado, dia 30 de maio, no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, onde estava internada desde o início do mês. Reconhecida como uma das cirurgiãs mais influentes do Brasil, ela acumulou feitos históricos e ajudou a transformar o tratamento de milhares de pacientes ao redor do mundo.
Professora titular emérita da Faculdade de Medicina da USP, Angelita ganhou notoriedade internacional ao desenvolver e difundir o protocolo “Watch and Wait”, método inovador voltado ao tratamento do câncer de reto. A técnica revolucionou a área ao permitir, em casos específicos, a preservação do reto sem necessidade imediata de cirurgia invasiva.
Além da contribuição científica, a médica também teve papel fundamental na estruturação da coloproctologia no Brasil. Foi responsável pela criação da disciplina da especialidade no Hospital das Clínicas da USP e fundadora da Associação de Prevenção do Câncer de Intestino, entidade voltada à conscientização e ao diagnóstico precoce da doença.
O reconhecimento internacional veio de diversas formas. Angelita entrou para a lista dos 2% de cientistas mais influentes do mundo, elaborada pela Universidade de Stanford, e se tornou a primeira mulher a integrar como membro honorário a tradicional American Surgical Association, uma das mais importantes sociedades cirúrgicas do planeta.
Em nota oficial, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz lamentou a morte da médica e destacou a dimensão de sua contribuição para a medicina brasileira. A instituição afirmou que Angelita será lembrada com “respeito, gratidão, carinho e admiração”.
Ao longo da carreira, a doutora costumava afirmar que trabalhava “por gosto e prazer”, enxergando o sucesso apenas como consequência de sua dedicação. Sua partida encerra um capítulo importante da medicina nacional, mas deixa um legado admirável que continuará inspirando futuras gerações.

