O lançamento do novo projeto musical de Ivete Sangalo, “Ivete Clareou”, no Rio de Janeiro, foi marcado por celebração, mas também por episódios lamentáveis nas redes sociais. Durante o evento, parte da internet voltou seus olhos não à música ou à performance da cantora, mas ao visual de uma de suas filhas.
Acompanhada do marido Daniel Cady e dos filhos Marcelo, Marina e Helena, Ivete comemorava a nova fase de sua carreira, dedicada exclusivamente ao pagode. Porém, ao invés de destaque para o repertório, comentários ofensivos voltaram-se ao corte de cabelo curto de uma das filhas gêmeas.
Publicações de teor homofóbico e capacitista circularam nas redes sociais, focando em detalhes da aparência da criança. Frases como “A de branco é meio estranha [emoji de risada]” e “Ela parece que é um futuro menino” surgiram entre os comentários.
Alguns usuários chegaram a dizer: “A de branco quer ser menino [emoji revirando o olho]”, e até comentários extremamente ofensivos como: “Essa filha de cabelo curto parece ser especial” foram registrados, demonstrando o nível de preconceito ainda presente em ambientes virtuais.
Apesar dos ataques, várias pessoas se posicionaram em defesa da criança e condenaram os comentários. “Uma pessoa falou nos comentários que acha que a Helena tem problema. Problema tem vocês com esse tipo de comentário só porque ela cortou o cabelo assim”, rebateu uma internauta.
O episódio mostra como a internet pode tanto amplificar gestos de apoio quanto dar visibilidade ao preconceito. No caso, o alvo foi uma criança, o que torna o cenário ainda mais preocupante.
Atitudes como essas revelam uma falsa sensação de liberdade de expressão usada para justificar agressões. Mais do que defender figuras públicas, é essencial reforçar que respeito não deve ser opcional, especialmente quando se trata de menores de idade.
A reação de repúdio por parte de muitos usuários demonstra que, embora a intolerância ainda encontre espaço, também há resistência. Criticar a liberdade de expressão individual, principalmente quando ela não fere ninguém, parece cada vez mais fora de lugar e de tempo.

