Casos de violência envolvendo ex-companheiros seguem acendendo um alerta preocupante no país. Quando conflitos mal resolvidos ultrapassam o limite do diálogo e chegam a episódios extremos, as consequências atingem não apenas o casal, mas também filhos, familiares e toda a comunidade ao redor.
Em Botucatu, no interior de São Paulo, a morte de Júlia Gabriela Bravin Trovão, de 29 anos, intensificou o debate sobre proteção às mulheres. Ela estava internada desde o último sábado, dia 21 de fevereiro, após ser baleada pelo ex-marido, e não resistiu aos ferimentos, conforme confirmou o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu na noite de terça, dia 24 de fevereiro.
O atual namorado de Júlia, Diego Felipe Corrêa da Silva, de 34 anos, também foi atingido e morreu ainda no local. O crime aconteceu na Avenida Cecília Lourenção, no Residencial Ouro Verde.
De acordo com as informações policiais, o suspeito, Diego Sansalone, de 38 anos, efetuou diversos disparos contra o carro onde estavam as vítimas e duas crianças, entre elas, o filho do ex-casal.
Após os tiros, o motorista perdeu o controle da direção e colidiu contra um poste. O suspeito então retirou o filho do veículo e fugiu. Nenhuma das crianças foi atingida pelos disparos, mas a menina de 7 anos, filha do atual companheiro de Júlia, sofreu ferimentos leves na batida e foi atendida.
Dias antes do crime, Júlia havia registrado boletim de ocorrência após uma discussão envolvendo o ex-marido e solicitado medida protetiva. O pedido, porém, foi negado pela Justiça um dia antes do ataque. O Tribunal de Justiça de São Paulo informou que casos desse tipo tramitam sob segredo.
O suspeito foi localizado no domingo, dia 22 de fevereiro, em uma estrada rural entre Botucatu e Pardinho, e preso sem resistência. Segundo a polícia, ele confessou o crime. O caso, inicialmente registrado como homicídio qualificado e tentativa de feminicídio, agora passa a ser investigado como feminicídio consumado, após a confirmação da morte de Júlia.

O enterro está marcado para o Cemitério Portal das Cruzes, enquanto a cidade tenta assimilar mais um episódio que expõe a urgência de mecanismos eficazes de proteção.

