A morte de Miguel Abdalla Neto, aos 76 anos, abriu um novo e complexo capítulo jurídico na história da família Richthofen. O falecimento do médico, registrado na última sexta-feira (9) como morte suspeita em São Paulo.
Com o falecimento, se reacendeu o debate sobre os direitos sucessórios de Suzane von Richthofen. Segundo especialistas em Direito de Família, a condenação de Suzane pelo assassinato dos pais gera a chamada indignidade sucessória.
Contudo, este impeditivo legal é restrito à herança das vítimas do crime (Manfred e Marísia) e não se estende automaticamente a outros parentes, como o tio materno. Na prática, isso significa que Suzane e seu irmão, Andreas, estão no topo da ordem de vocação hereditária de Miguel, caso ele não tenha deixado filhos ou cônjuge vivos.
Mesmo tendo alterado seu nome para Suzane Louise Magnani Muniz após o casamento, seu direito à herança permanece intacto. A única barreira legal definitiva seria a existência de um testamento deixado por Miguel que a deserdasse.
Outra forma seria ele ter destinado seus bens a outros beneficiários, respeitando a legítima de Andreas. Relatos de que o tio havia manifestado em vida o desejo de que a sobrinha nada recebesse reforçam a possibilidade do documento existir.
O clima em torno do caso tornou-se tenso durante o final de semana. Suzane causou tumulto no 27º Distrito Policial ao tentar liderar os trâmites para a liberação do corpo, entrando em conflito com uma prima de Miguel. As informações são do portal Metrópoles.
A presença de Suzane na delegacia, a mesma onde ela prestou depoimento pelo assassinato dos pais em 2002, e no Instituto Médico Legal (IML) gerou surpresa e atrasos burocráticos. Paralelamente, a residência onde Miguel foi encontrado morto foi alvo de pichações com frases questionando a participação de Suzane.
Miguel Abdalla teve um papel central na vida dos irmãos após a tragédia de 2002, atuando como tutor de Andreas e inventariante dos bens da família, até ser afastado por uma manobra judicial da própria Suzane em 2005. O histórico de conflitos, que incluiu acusações de sonegação de bens e denúncias de que Suzane “rondava” a casa do tio, torna a disputa pelo espólio ainda mais delicada.
Enquanto o inquérito sobre a morte (inicialmente apontada como natural) segue em curso, a partilha de bens promete ser um novo embate entre os irmãos, que hoje vivem realidades opostos: ela em regime aberto e ele em isolamento social.

