Quase quatro anos após o acidente aéreo que vitimou a cantora Marília Mendonça e outras quatro pessoas, a divisão do seguro gerado pela tragédia voltou a gerar controvérsia e expôs um desacordo entre a mãe da artista, Ruth Moreira, e os familiares das demais vítimas.
O caso ganhou nova projeção após o cantor Murilo Huff, pai do filho de Marília, mover uma ação pela guarda unilateral do menino, trazendo à tona os bastidores do acordo firmado em relação à indenização.
A aeronave caiu em novembro de 2021, na cidade de Caratinga, em Minas Gerais, e causou a morte de todos a bordo: além de Marília, estavam o tio e assessor Abicieli Silveira Dias Filho, o produtor Henrique Bahia, o piloto Geraldo Medeiros e o copiloto Tarciso Viana.
O valor do seguro foi fixado em US$ 2 milhões. A polêmica surgiu porque, segundo os familiares das vítimas, Ruth Moreira teria exigido ficar com metade do valor, ou seja, US$ 1 milhão, o que reduziu para US$ 250 mil a cota de cada uma das outras quatro famílias.
Em entrevista ao programa Fantástico, Ruth afirmou que a divisão foi determinada por um juiz e elaborada pela empresa de táxi aéreo responsável pela aeronave, negando ter discutido o tema com os demais herdeiros.
No entanto, essa versão foi rebatida por Fernanda Costa, ex-esposa de Henrique Bahia, que afirmou ter tentado contato com Ruth por meio de um áudio enviado em 2022, pedindo uma divisão mais justa dos recursos.
Ruth, segundo ela, respondeu apenas orientando que a questão fosse tratada com seu advogado. O pai de Henrique Bahia, George Freitas, também relatou que os representantes legais de Ruth os procuraram na época e condicionaram o acordo à cessão de metade do valor do seguro.
Diante da urgência financeira e da ausência de alternativas viáveis, as famílias teriam aceitado os termos propostos, mesmo considerando injusta a exigência.
Nas redes sociais, Vitória Medeiros, filha do piloto, criticou a disparidade na distribuição do seguro, lembrando que todas as vítimas perderam a vida no mesmo evento e deveriam ser tratadas com igualdade nesse contexto.
Especialistas apontam que valores indenizatórios podem, sim, variar conforme critérios como expectativa de vida e capacidade produtiva da vítima, o que não necessariamente reflete uma valoração desigual das vidas envolvidas.
Ainda assim, a situação reforça o quanto decisões financeiras envolvendo perdas humanas são delicadas e podem perpetuar dores quando não são conduzidas de maneira transparente e consensual.

