Uma reforma de porão em uma casa de Paris, na França, transformou-se em uma descoberta arqueológica significativa quando o proprietário, de forma inesperada, desenterrou um esqueleto. O achado levou à escavação de um antigo cemitério, que abrigava dezenas de túmulos, alguns datando de cerca de 1700 anos.
A investigação arqueológica revelou que o túmulo mais antigo remonta ao século 3, um período próximo ao fim da hegemonia romana na região. Além disso, foram encontrados dez sarcófagos de gesso, que pertencem ao início do período merovíngio, quando os francos começaram a dominar a região, entre os anos 476 e 750. O cemitério foi utilizado até o século 10, o que indica que ele permaneceu ativo por aproximadamente 700 anos.

Algumas das sepulturas datam do período romano — Foto: Archeodunum / Divulgação
Inicialmente, os arqueólogos acreditavam que a área seria apenas um cemitério medieval, pois ali havia registros de uma capela do século 7. A descoberta de sepulturas ainda mais antigas surpreendeu a equipe da empresa de arqueologia francesa Archaeodunum, que está conduzindo as escavações em nome das autoridades locais.
Desde que o esqueleto foi encontrado no último inverno francês, 38 túmulos foram desenterrados em uma área que abrange 52 metros quadrados, distribuída por quatro cômodos do porão da casa, localizada no distrito de Montconseil, em Corbeil-Essonnes, ao sul de Paris.
Acredita-se que o imóvel tenha sido construído sobre o local da antiga capela medieval de Notre-Dame-des-Champs, que, por sua vez, pode ter sido erguida sobre um templo pagão ainda mais antigo.
Embora alguns túmulos medievais já tenham sido encontrados nas proximidades anteriormente, não havia vestígios diretos da capela ou do suposto templo. A disposição dos túmulos oferece uma visão fascinante das práticas funerárias da época, com sepulturas em fileiras paralelas, características de diferentes períodos históricos.
Um desses sarcófagos, que era originalmente coberto por um bloco de pedra esculpido, ainda traz fragmentos de desenhos, incluindo uma roseta e duas cruzes. Os arqueólogos apontam que esses desenhos eram comuns em sepulturas merovíngias, além de aparecerem em locais de cultos não cristãos do período.
A descoberta proporciona uma oportunidade rara para os arqueólogos entenderem melhor as transições culturais e religiosas na região, desde a dominação romana até o estabelecimento do cristianismo pelos francos.
Esse achado em um porão de residência comum não só revela a história profunda da área, mas também evidencia como o passado pode se ocultar sob construções modernas, esperando para ser redescoberto.

