As rodovias brasileiras guardam diariamente histórias marcadas por dor e também por situações inesperadas. Em meio a acidentes que tiram vidas, algumas ocorrências revelam episódios quase inacreditáveis, nos quais a resistência humana surpreende até mesmo os mais experientes socorristas.
Foi o que aconteceu em Garanhuns, Pernambuco, onde um menino de apenas cinco anos sobreviveu a um acidente de carro e passou dois dias ao lado dos corpos dos pais, à beira da BR-424.
A família estava desaparecida desde o último sábado, dia 27 de setembro. O resgate aconteceu apenas na segunda, dia 29 de setembro, quando moradores ouviram o choro da criança vindo de uma área de difícil acesso. Apesar de ferimentos superficiais na pele e do evidente estado de choque, o menino não apresentava lesões graves.
Ele foi levado ao Hospital Dom Moura e está fora de risco. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a principal hipótese é que o carro da família tenha colidido contra um cavalo que estava solto na pista, capotando em seguida até parar em uma região de matagal, praticamente invisível da estrada.
Próximo ao local, os agentes encontraram também o corpo do animal. O veículo possuía cadeirinha infantil, que teria protegido o menino no momento do impacto. O acidente ocorreu no quilômetro 95, trecho conhecido como Curva da Laranjeira, ponto que já acumula registros frequentes de colisões fatais.
O local é alvo de discussões antigas sobre segurança viária na região, mas até hoje continua sendo palco de acidentes graves. Para retirar o veículo, foi necessário o uso de um guincho. As vítimas foram identificadas como Jobson de Lima, 31 anos, pedreiro, e Priscila Bezerra Costa, 33 anos, vendedora.
A Polícia Civil de Pernambuco instaurou um inquérito para investigar as circunstâncias da ocorrência, enquanto familiares e amigos lidam com a dor da perda e o alívio por terem o pequeno sobrevivente em vida.
O caso chama atenção não apenas pelo sofrimento envolvido, mas também pela impressionante resistência da criança, que, em meio ao medo e ao silêncio da estrada, conseguiu se manter viva até ser resgatada.

