O hábito de colorir, muitas vezes visto como uma atividade infantil, tem reconquistado espaço entre adultos em busca de equilíbrio emocional e foco. Em tempos de excesso digital, lápis de cor e desenhos se tornaram aliados do bem-estar.
Uma das responsáveis por essa retomada é a série Bobbie Goods, criada pela ilustradora californiana Abbie Bobbie Gouveia. Seus livros, repletos de ilustrações de animais em cenas do cotidiano — como coelhos, patos, ursos e gatos — vêm conquistando um público fiel entre adultos.
Os benefícios de atividades como essa vão além do simples relaxamento. Especialistas destacam que colorir ativa diversas regiões cerebrais ao mesmo tempo. O córtex visual interpreta formas e cores; o motor primário, os núcleos da base e o cerebelo coordenam o movimento das mãos.
Enquanto isso, o córtex pré-frontal, área ligada à atenção, planejamento e organização, entra em ação para escolher as cores e respeitar os contornos dos desenhos. A combinação desses estímulos produz uma sensação de foco e tranquilidade.
Por não ter metas ou cobranças, colorir reduz a atividade de áreas cerebrais associadas ao estresse. O cérebro ainda libera dopamina, neurotransmissor ligado ao prazer e à sensação de recompensa.
De acordo com especialistas, a prática impacta positivamente a qualidade de vida, pois envolve atenção plena, tomada de decisões rápidas e memória de trabalho. Ou seja, não é só relaxante, mas também cognitivamente estimulante.
Outras atividades com efeito semelhante incluem leitura, aprendizado de idiomas, palavras cruzadas e trabalhos manuais. Todas elas contribuem para manter diferentes áreas do cérebro em funcionamento.
Para quem vive sob pressão constante ou sente os efeitos do excesso de telas, os livros de colorir representam uma pausa. “A atenção no pintar permite uma diminuição do fluxo de pensamentos acelerados ou negativos acentuados pelas redes sociais e excesso de tecnologia e ainda ajuda a criar um momento de silêncio mental, devido à entrega para o momento”, afirma a psicóloga Letícia Pizarro, do Grupo Reinserir, em São Paulo.
Segundo ela, embora colorir não seja uma solução principal para quadros clínicos como ansiedade ou depressão, pode funcionar como um excelente recurso complementar em processos terapêuticos.
A proposta é simples, mas eficaz: sentar com um lápis na mão e dedicar alguns minutos à prática. Além de estimular o cérebro, essa ação resgata a sensação de presença e autocuidado.
Em um cenário de rotinas aceleradas e hiperconectividade, reconectar-se com um gesto tão básico — e prazeroso — quanto colorir pode ser um convite ao equilíbrio entre corpo e mente.

