Eventos climáticos extremos têm provocado impactos cada vez mais severos em diferentes regiões do Brasil, especialmente em cidades com relevo acidentado e crescimento urbano acelerado.
Em períodos de chuva intensa e prolongada, o volume acumulado em poucas horas pode superar a média histórica de todo um mês, pressionando sistemas de drenagem e ampliando riscos para moradores de áreas vulneráveis.
Na Zona da Mata mineira, o mês de fevereiro já entrou para os registros como um dos mais desafiadores dos últimos anos. Em Juiz de Fora, o acumulado chegou a 584 milímetros, o dobro do esperado para o período, tornando este o fevereiro mais chuvoso da história do município.
Essa é uma noite/madrugada muito difícil pra Juiz de Fora. Chuvas intensas, alagamento, deslizamento de terra, desabamento de edificações, pessoas soterradas e mortas, crianças inclusive.
O alerta de tempestades permanece até à noite de sexta-feira.
No vídeo: Bairro Retiro pic.twitter.com/IC6LvTQU49
— Nicolas (@nicolassoueu) February 24, 2026
Desde o início do temporal, na tarde de segunda-feira (23), 16 mortes foram confirmadas e cerca de 440 pessoas precisaram deixar suas casas. Diante do cenário, a prefeitura decretou estado de calamidade pública na madrugada desta terça-feira (24), suspendeu as aulas da rede municipal e estabeleceu luto oficial de três dias.
O Corpo de Bombeiros mantém buscas por ao menos 45 desaparecidos. No bairro Parque Burnier, um dos mais atingidos, 12 imóveis desabaram. Há 17 pessoas desaparecidas na área, incluindo crianças.
Não é "fatalidade". O que atinge Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa reflete a intensificação das mudanças climáticas: mais calor, mais umidade, chuvas mais fortes. Ignorar isso é tapar os olhos para as mais de 400 pessoas que hoje estão sem casa. pic.twitter.com/GnOCb5IPTm
— Dandara Tonantzin (@todandara) February 24, 2026
Nove moradores foram resgatados com vida, enquanto quatro óbitos foram registrados no local. Já no bairro Cerâmica, duas casas ruíram e cinco integrantes de uma mesma família permanecem soterrados. Equipes dos bombeiros, da Defesa Civil, da Polícia Militar e da Empav seguem mobilizadas nas operações.
O transbordamento do Rio Paraibuna e de córregos comprometeu pontes e o mergulhão que liga bairros ao Centro, além de provocar quedas de árvores e bloqueios em diversas vias. Mais de 40 ocorrências emergenciais foram registradas apenas durante a madrugada.
A situação na Zona da Mata é de calamidade. Juiz de Fora registrou o fevereiro mais chuvoso da história: 584 mm, o dobro do esperado. Não são números, já são mais de 14 vidas perdidas, entre centenas de desaparecidos e de famílias atingidas. Minha solidariedade aos bombeiros e,… pic.twitter.com/1HCSRh08NK
— Dandara Tonantzin (@todandara) February 24, 2026
Segundo o tenente Henrique Barcellos, mais de 20 militares e cães de busca foram acionados para reforçar os trabalhos. Em Ubá, o Ribeirão Ubá saiu do leito após 124 milímetros de chuva em seis horas, deixando seis mortos e áreas alagadas.
🖤 Toda a minha solidariedade e força à população de Juiz de Fora (MG), que enfrenta neste momento uma das maiores tragédias climáticas da sua história.
Infelizmente, as fortes chuvas causaram ao menos 14 mortes confirmadas e cerca de 440 pessoas desabrigadas, enquanto equipes… pic.twitter.com/bocFgNkl0D
— Marina do MST (@marinadomst) February 24, 2026
Matias Barbosa também decretou calamidade para agilizar recursos e ampliar o atendimento às famílias afetadas. O episódio reforça a necessidade de investimentos contínuos em prevenção e planejamento urbano diante de eventos climáticos cada vez mais intensos.

