As buscas por Roberto Farias Thomaz, de 19 anos, desaparecido no Pico Paraná desde a manhã de quinta-feira (1º), entraram em uma fase crítica com o envolvimento direto da Polícia Civil e a interdição de áreas do parque.
O jovem, que subiu a montanha mais alta da Região Sul para celebrar a virada de ano, foi visto pela última vez durante o início da descida, após apresentar sinais de debilidade física, como vômitos e fraqueza.
A operação de resgate mobiliza o Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST) do Corpo de Bombeiros, helicópteros, drones e voluntários especializados do Corpo de Socorro em Montanha (Cosmo) e do Clube Paranaense de Montanhismo.
Por recomendação das autoridades, o Instituto Água e Terra (IAT) restringiu o acesso aos morros Caratuva, Pico Paraná, Getúlio e Itapiroca para evitar interferências nas buscas.
O caso tomou contornos investigativos após a família registrar um boletim de ocorrência no sábado (3). O delegado Glaison Lima Rodrigues afirmou que, embora a situação seja tratada inicialmente como desaparecimento, a Polícia Civil segue investigando.
Testemunhas que estavam na trilha, como o analista jurídico Fabio Sieg Martins, relataram que Roberto estava visivelmente doente durante a subida e que ele teria ficado para trás durante o retorno.
Martins descreveu um cenário de preocupação ao encontrar Thayana, a amiga que acompanhava Roberto, sozinha em uma barraca no acampamento 1, sem saber informar a localização exata do jovem.
Segundo o montanhista, ele havia alertado a moça sobre o perigo de abandonar alguém debilitado em um ambiente hostil como a Serra do Mar. Porém, a jovem negligenciou o pedido e deixou Roberto para trás.
Thayana, por sua vez, apresentou sua versão por meio de vídeos em redes sociais e entrevistas, admitindo que chegou ao acampamento antes do amigo e que se arrepende de ter se separado dele.
Ela relatou que, após ser alertada por outros trilheiros sobre o possível desaparecimento, tentou retornar pela trilha, enfrentando condições extremas de sede e cansaço até ser orientada pelos bombeiros a recuar.
No entanto, depoimentos colhidos indicam que pode ter ocorrido um desentendimento entre os dois durante o trajeto, provocado por uma brincadeira de Roberto.
A irmã do jovem, Renata Farias Thomaz, tem feito apelos públicos por mais recursos tecnológicos nas buscas e defende que a investigação técnica da polícia é necessária para preencher lacunas e contradições nos relatos dos envolvidos.
A família permanece na base da montanha em vigília e solicita que montanhistas experientes, com conhecimento profundo de áreas específicas como o Vale do Cacatu e a trilha do Saci, se cadastrem junto aos bombeiros para auxiliar voluntariamente.
O clima de incerteza persiste enquanto as equipes de resgate alternam entre buscas terrestres em terrenos de difícil acesso e sobrevoos na tentativa de localizar o rapaz.
Até o momento, as autoridades mantêm o foco na localização de Roberto, ressaltando que o Pico Paraná exige alto preparo físico e experiência devido aos seus paredões rochosos e às rápidas mudanças climáticas.

