O Ministério Público de Palermo, na Itália, abriu uma investigação contra os pais de uma menina de quatro anos que morreu de difteria após não ter sido vacinada. O casal é investigado por possível homicídio culposo por omissão.
A criança vivia na Zona Expansione Nord (ZEN), área periférica da capital da Sicília. Segundo a imprensa italiana, os pais haviam decidido não imunizar a menina nem os outros três filhos porque acreditavam que uma vacina teria provocado o diagnóstico de autismo em um familiar.
Após a morte, os três irmãos foram vacinados pelas autoridades de saúde. A doença, causada por uma bactéria que produz toxinas capazes de atingir órgãos e tecidos, pode provocar complicações graves e levar à morte.
Na Itália, a imunização contra a difteria é obrigatória desde 1939. O país não registrava um caso desde 1996, enquanto a última morte havia ocorrido em 1991. A situação voltou a chamar a atenção das autoridades após um primo da menina também testar positivo para a doença no sábado (22).
A criança está internada no Hospital Cívico de Palermo, mas não corre risco de morte e apresenta evolução favorável. Segundo o diretor médico Domenico Cipolla, ela havia recebido as três primeiras doses previstas no esquema de vacinação.
A Promotoria de Menores também determinou uma investigação sobre a adesão à vacinação obrigatória na região da ZEN. Creches e escolas de ensino fundamental serão vistoriadas para identificar possíveis alunos não imunizados frequentando as aulas.
O Ministério da Saúde italiano reforçou que não há evidências científicas que estabeleçam relação entre vacinas e autismo.
Difteria é prevenível por vacinação
A transmissão ocorre principalmente por gotículas respiratórias e saliva. Febre, dor de garganta, dificuldade para respirar e aumento dos gânglios estão entre os sintomas. Em quadros graves, podem ocorrer secreções com sangue e coloração azulada da pele.
Antes da vacinação, a Itália registrava cerca de 30 mil casos infantis e 1.500 mortes por ano. Entre 1990 e 2009, foram contabilizados apenas cinco casos. A vacinação obrigatória foi ampliada em 2017 pela Lei Lorenzin, que passou a exigir dez imunizações para a frequência escolar de menores de 16 anos.
No Brasil, a proteção contra a difteria está incluída na vacina pentavalente, oferecida gratuitamente pelo SUS e que também previne tétano, coqueluche, hepatite B e infecções por Haemophilus influenzae tipo b.

