Deixar produtos de limpeza ou líquidos perigosos ao alcance de crianças pequenas pode transformar segundos de descuido em consequências devastadoras para o resto da vida, especialmente quando garrafas sem identificação ficam no chão e são confundidas com algo inofensivo como uma mamadeira.
Sam Anwar Alshameri, um bebê britânico de apenas 1 ano e 8 meses, vivia uma tarde comum em casa, em Birmingham, na Inglaterra, quando aconteceu o impensável.
Enquanto a mãe, Mukhtara, de 27 anos, limpava o banheiro com soda cáustica diluída em uma garrafa branca comum, o pequeno passou despercebido atrás dela, pegou o recipiente do chão e deu um gole, acreditando que era leite. Em instantes, o produto corrosivo queimou lábios, boca, língua e todo o trajeto até o estômago e vias aéreas.
Levado às pressas para o hospital, Sam sofreu uma parada cardíaca que durou quase três minutos. Os médicos conseguiram reanimá-lo, mas ele ficou dois meses internado na UTI, sem poder comer, beber ou falar.
Hoje, já em casa com a família, que inclui mais três irmãos pequenos, o menino tem os lábios quase totalmente colados pelas cicatrizes, dependendo de um tubo direto no estômago para se alimentar. Qualquer tentativa de engolir provoca risco imediato de asfixia.
O pai, Nadeen Alshameri, de 37 anos, descreve o desespero diário: especialistas do sistema público de saúde britânico (NHS) divergem sobre o momento ideal para a cirurgia reconstrutiva que pode devolver a boca do filho à normalidade, alguns dizem que ainda é cedo, outros que é possível, e muitos admitem nunca terem visto caso semelhante.
Sem data marcada e vendo o filho sofrer todos os dias, Nadeen decidiu buscar tratamento particular na Alemanha ou na Turquia, mas a família mal consegue pagar aluguel e comida. Por isso, ele criou uma vaquinha no GoFundMe que, até esta terça, dia 18 de novembro, havia arrecadado pouco mais de £315.
O caso serve como alerta mundial: guardar produtos cáusticos em embalagens originais trancadas, nunca em garrafas de refrigerante ou água, pode evitar que outras famílias passem pelo mesmo pesadelo em frações de segundo.

