A polícia civil do Rio de Janeiro foi rápida e eficiente após o atentado contra um homem em situação de rua, no Pechincha, na última quarta-feira. A vítima dormia numa calçada, quando teve o corpo incendiado.
O crime foi filmado e transmitido ao vivo na internet para mais de 200 pessoas, tendo sido diretamente praticado por pelo menos duas pessoas: o que aparece no vídeo, e o que faz o vídeo.
Em questão de horas, a polícia foi capaz de identificar e apreender o adolescente apontado como autor do ataque. É ele quem aparece nas imagens acendendo e arremessando coquetéis molotov na vítima.
Apesar de ter contado com a parceria do Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça na investigação do caso; a polícia civil contou com uma ajuda ainda maior para identificar o adolescente de forma tão rápida.
Isso porque no dia seguinte ao crime, quando as imagens começaram a repercutir e gerar revolta, a avó e a irmã do adolescente procuram a Delegacia do Tanque. As duas identificaram o infrator através das imagens.
Na casa da família, a polícia encontrou toucas, luvas, máscaras e uma faca. Logo a polícia confirmou que o adolescente integrava grupos neonazistas nas redes sociais, em especial o aplicativo Discord.
“Ele seria movido por um desafio de se vangloriar perante os outros participantes [da rede social] e que ele teria recebido um valor em torno de R$ 2 mil por um indivíduo ainda não identificado”, explicou o delegado Cristiano Maia. “Nós já identificamos que ele participa de comunidades ligadas a crimes de ódio”, completou.
Com ajuda do Laboratório, a polícia civil também identificou o segundo envolvido: um soldado do exército, de 20 anos, identificado como Miguel Felipe dos Santos Guimarães da Silva.