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Após 20 meses de sofrimento, Noelia Castillo vence na Justiça pelo direito à eutanásia

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Ao fim da batalha, sua vontade foi mantida.

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A trajetória de Noelia Castillo foi atravessada por dores profundas, físicas e emocionais, que se acumularam ao longo dos anos. Esse cenário de sofrimento constante a levou, em 2024, a pedir acesso à eutanásia na Espanha. Nesta quinta-feira (26), aos 25 anos, a solicitação foi finalmente cumprida, encerrando uma longa disputa marcada por angústia, impasses judiciais e intensa exposição pública.

Pouco antes do procedimento, Castillo falou abertamente sobre o que sentia em entrevista ao canal espanhol Antena 3. “Quero ir embora em paz e parar de sofrer, ponto”, afirmou.

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O caso provocou forte repercussão no país e dividiu opiniões. A exibição da entrevista reacendeu discussões sobre autonomia, dignidade e o direito de decidir sobre o próprio destino. Enquanto parte da população demonstrou apoio à decisão da jovem, outra parcela reagiu nas redes sociais com apelos para que ela desistisse.

Durante a conversa, Noelia associou sua escolha a uma história pessoal marcada por instabilidade e sofrimento desde a adolescência. Segundo relatou, a separação dos pais, quando tinha 13 anos, foi um ponto de ruptura em sua vida. Depois disso, passou por um centro de acolhimento supervisionado e recebeu diagnósticos de Transtorno Obsessivo-Compulsivo e Transtorno de Personalidade Borderline.

Mesmo após formalizar o pedido, o caminho até a autorização definitiva esteve longe de ser simples. Para Noelia, a solicitação representou apenas o início de uma nova etapa de enfrentamento, sobretudo por causa da resistência familiar.

A autorização havia sido concedida em 18 de julho de 2024 pela Comissão de Garantia e Avaliação da Catalunha. O órgão concluiu que ela preenchia os critérios previstos em lei, considerando a existência de uma “condição clínica irrecuperável”, além de “dependência severa, dor e sofrimento crônico incapacitante”.

Em agosto do mesmo ano, porém, o pai de Noelia, com apoio do grupo religioso ultraconservador Christian Lawyers, acionou a Justiça para barrar o procedimento. A alegação apresentada foi a de que ela não teria plena capacidade para tomar essa decisão.

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A resposta de Castillo foi direta: “Ele não respeitou minha decisão e nunca vai respeitar”.

A partir dali, o processo se estendeu por 20 meses e passou por cinco instâncias judiciais, incluindo cortes da Catalunha, o Supremo Tribunal, o Tribunal Constitucional e o Tribunal Europeu de Direitos Humanos.

Ao fim da batalha, sua vontade foi mantida. Em suas últimas declarações, Noelia resumiu o peso daquele percurso: “Eu finalmente consegui, e agora talvez eu possa descansar”. Em seguida, desabafou: “Não aguento mais essa família, não aguento mais a dor, não aguento mais tudo o que me atormenta na minha cabeça.”

Antes do momento final, despediu-se dos familiares e fez um último pedido: “Não quero ninguém dentro”. Também afirmou: “Não quero que me vejam fechar os olhos.”

Sobre o Autor

Paula Vasconcelos

Colunista de notícias dedicada a escrever sobre os todos os assuntos. Sou apaixonada pelo mundo da literatura.