Enquanto muitas crianças da sua idade estão descobrindo as primeiras operações com frações, Lucca Fontes Aragão, de apenas 12 anos, já figura entre os aprovados no vestibular da Universidade Estadual do Ceará (Uece), no curso de Matemática.
Aluno do 6º ano do Ensino Fundamental, o menino não para de acumular conquistas acadêmicas. Além da recente aprovação, ele também garantiu o primeiro lugar no concurso do Colégio Militar de Fortaleza, com nota máxima, e conquistou uma medalha de prata na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM).
Com planos ambiciosos, Lucca já mira o ouro na próxima edição da OBM e pretende disputar a prova da União Internacional de Matemática (IMU). Mas, apesar do currículo incomum para a idade, o garoto mantém um jeito tímido e discreto.
“Foi só a fama mesmo”, comentou ele, quando questionado sobre o que mudou após ser aprovado na universidade. Para Lucca, passar no vestibular tão cedo foi simplesmente “uma realização muito incrível” e “muito legal”.
A iniciativa de prestar o vestibular partiu do pai, José Aragão, professor da área de Computação. Ao observar o desempenho do filho em provas e concursos, ele sugeriu que o menino começasse a treinar desde cedo.
“Imagina se você fizer vestibular todo semestre até chegar no terceiro ano. Então ele vai ter feito aí uns 14, 15 vestibulares. Quando ele chegar lá no vestibular que vai ser o vestibular valendo para ele, vai ser só mais uma prova”, explicou José. A estratégia não começou agora. No ano anterior, Lucca já havia passado na primeira fase do vestibular da Uece. Em 2024, veio a aprovação definitiva.
O que mais impressionou o pai, no entanto, não foi a conquista em si, mas o desempenho de Lucca na redação. Mesmo apaixonado por números, o garoto alcançou 59 pontos de um total de 60, uma nota comparável a cerca de 980 na redação do Enem.
Lucca foi diagnosticado com superdotação após ser avaliado por uma neuropsicóloga. A mãe, Andressa Fontes, conta que já havia notado sinais de que o filho aprendia com muita facilidade, mas atribuía isso apenas a uma característica individual.
O acompanhamento psicológico começou antes mesmo do diagnóstico, quando a mãe suspeitou que o comportamento acelerado do filho pudesse ser ansiedade.
Após uma série de testes, a especialista revelou que aquela velocidade de raciocínio acima do normal era, na verdade, indicativa de altas habilidades intelectuais.
A descoberta ajudou os pais a entender melhor o funcionamento da mente de Lucca. “A gente pôde entender um pouco melhor como funciona a cabeça dele”, afirmou a mãe.
No entanto, lidar com um filho superdotado trouxe novos desafios. Ao contrário da maioria das crianças, Lucca precisa ser lembrado de deixar os estudos de lado para brincar.
“Se deixar, ele vai só estudar”, dizem os pais, que optaram por não apressar a trajetória escolar do garoto. Eles não pretendem aplicar o processo de aceleração de série, em que a criança salta etapas do currículo, acreditando que cada fase deve ser vivida em seu tempo.
Apesar da paixão evidente por matemática, Lucca ainda não definiu qual profissão deseja seguir. Enquanto isso, segue alimentando sua curiosidade com aulas particulares de física e química, matérias que o fascinam.

