A generosidade de brasileiros ultrapassou fronteiras para reconhecer a coragem de um voluntário indonésio. Abd Harris Agam, mais conhecido como Agam Rinjani, recebeu pouco mais de R$ 435 mil arrecadados por meio de uma vaquinha virtual criada após seu envolvimento no resgate do corpo da brasileira Juliana Marins, no Monte Rinjani, na Indonésia.
A transferência do valor foi feita na terça-feira, 8 de julho, segundo informou a plataforma Razões para Acreditar, responsável pela campanha. Embora o total arrecadado tenha superado os R$ 518 mil, o montante recebido por Agam foi reduzido devido ao desconto do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
O episódio que comoveu os brasileiros ocorreu após a queda fatal de Juliana durante uma trilha na região montanhosa. Agam se arriscou em uma área de difícil acesso e passou a noite ao lado do corpo da vítima para impedir que ele deslizasse ainda mais pela encosta instável.
Inicialmente, a campanha chegou a ser suspensa após surgirem questionamentos de doadores sobre a aplicação de uma taxa de 20% pela plataforma de arrecadação.
Com a repercussão negativa, os organizadores recuaram e garantiram que o valor seria transferido integralmente ao alpinista, sem deduções por parte da Voaa, plataforma especializada em vaquinhas on-line.
A atitude de Agam, que não integra a equipe oficial de resgate do governo indonésio, tocou profundamente o público. Sua bravura foi apontada como comparável à de um socorrista profissional. Ele atua fora da Basarnas, agência nacional de busca e salvamento da Indonésia, mas sua dedicação e conhecimento técnico se destacaram no caso.
Na comparação com a realidade econômica local, a quantia recebida representa uma transformação de vida. O salário mínimo no país gira em torno de 5 milhões de rúpias por mês, cerca de R$ 1.250. Com o valor da vaquinha, Agam teria o equivalente a mais de 18 anos de renda garantida, considerando o piso nacional.
Um resgatista da Basarnas, em nível intermediário (classe 8), recebe mensalmente 5.466.150 rúpias, o que corresponde a aproximadamente R$ 1.425. Dessa forma, a doação feita ao alpinista ultrapassa o equivalente a 76 meses de salário para um profissional desse porte.
Apesar do reconhecimento pessoal, Agam afirmou que não pretende ficar com todo o dinheiro. Segundo ele, parte da quantia será compartilhada com membros de sua equipe, que também participaram do esforço para localizar Juliana.
O caso de Juliana Marins ganhou notoriedade no Brasil não apenas pela tragédia da queda, mas também pelo gesto de solidariedade de um homem comum, que não hesitou em arriscar a própria vida por alguém que jamais conhecera.
Foi essa atitude que motivou milhares de pessoas a contribuir financeiramente, reconhecendo em Agam um exemplo de humanidade e bravura.

